A investigadora irá liderar a unidade de investigação em inteligência artificial que está incluída num pacote de investimentos tecnológicos de 10,8 mil milhões de dólares da JP Morgan.

Manuela Veloso, professora de Ciência de Computadores na Carnegie Mellon University (CMU) e Conselheira da Diáspora Portuguesa, foi anunciada como a mais recente contratação do banco norte-americano. A investigadora que é referência mundial na área da robótica irá liderar a unidade de investigação em inteligência artificial que está incluída num pacote de investimentos tecnológicos de 10,8 mil milhões de dólares da JP Morgan.

A contratação faz parte da estratégia do banco de investimento de implementar mais tecnologia no seu negócio. “Este esforço cada vez maior terá como objectivo identificar oportunidades futuras”, explica a JP Morgan em comunicado.

Uma vontade que já tinha sido expressa por Daniel Pinto, vice-presidente do banco, na sua carta anual para os accionistas: “Estamos a agregar equipas talentosas para estimular a inovação em inteligência artificial”, escreveu, referindo também a tecnologia de blockchain, machine learning, entre outras. A finalidade é aumentar a “eficiência” do negócio e servir os clientes com maior “eficácia”.

Manuela Veloso era a líder do departamento de machine learning na Universidade de Carnegie Mellon, um dos institutos de ensino superior com melhor reputação na área. Numa entrevista ao Jornal de Negócios em janeiro deste ano, a investigadora portuguesa disse estar “focada em tentar fazer com que a inteligência artificial torne as pessoas mais robustas e menos manipuláveis”.

A investigadora portuguesa identificou a “manipulação” como um dos potenciais problemas futuros da área. “A inteligência artificial tem um grande poder e, como tudo aquilo que tem poder, pode ser usada para o bem ou para o mal”, admitiu na mesma entrevista.

De um ponto de vista empresarial, Manuela Veloso considera que “cada empresa deve ter pelo menos 20% das pessoas a fazer ‘computer science’ e inteligência artificial”. “As empresas ainda estão muito agarradas às pessoas, o que é óptimo, mas se as pessoas tiverem consigo a ferramenta da inteligência artificial, serão muito mais valiosas”, explicou, assinalando que no futuro usar inteligência artificial será tão comum como fazer uma pesquisa no Google.

Por Jornal de Negócios, Maio de 2018