Em Janeiro do ano passado, Pedro Pereira da Silva atravessou a linha do Equador e mudou-se com a família para a Cidade do Cabo, onde se situa a sede do grupo Pick n’ Pay. Em África encontrou um povo de afecto e grande coração.  

Dirige as operações do Pick n’ Pay Retail, o segundo maior retalhista em África, com cerca de 1800 lojas, em diversos formatos de retalho alimentar e não alimentar, com 85 mil funcionários e vendas na ordem dos 5 mil milhões de euros. Com 90% das operações na África do Sul está presente adicionalmente em seis países da região. Antes assumia a presidência do Dixy Group, sediado em Moscovo, o terceiro maior retalhista do país com mais de 2800 lojas – supermercados, hipermercados e “cash & carry”. Na experiência anterior, foi Chief Operating Officer do grupo Jerónimo Martins, acumulando funções de Country Manager da Polónia e posteriormente Portugal, liderando o projecto da abertura do primeiro hipermercado Feira Nova em Lisboa e CEO dos supermercados Lidosol e João Gomes Camacho Cash & Carry, na Madeira.

Foi ainda fundador e presidente da Câmara de Comércio Polónia-Portugal, conselheiro de Estado em Portugal para a internacionalização da economia portuguesa, membro da direcção da associação polaca ECR – Efficient Consumer Response e fundador e membro da direcção da POHID – Associação de Empresas de Retalho na Polónia.

É licenciado em Economia pela Universidade NOVA de Lisboa, tem um MBA pela Harvard Business School, em Boston, e completou o Program for Executive Development no IMD, na Suíça.

O QUE DIZ PEDRO…

É assumidamente um líder com visão estratégica, presente, inspirador, motivador, desafiador e criador de equipas fortes. Um gestor de mão cheia e de grande realização profissional com diversos reconhecimentos e uma vida enriquecida por gigantes do retalho (e a enriquecê-las).

Gere o segundo maior retalhista em África. Um desafio…

Uma experiência rica e um desafio grande. África é diferente , com outras realidades e desafios,comparativamente com os países na Europa e América do Sul aonde tive oportunidade de gerir e liderar. O mercado de uma forma geral , e em particular  o da África do Sul, é bastante  diversificado pelas diferentes culturas  existentes, hábitos de consumo, poderes de compra , com uma estratificação social mais alargada reflectido nos poderes de compra associados. Independentemente dos contínuos desafios macro económicos na região, existe um grande potencial para crescimento e desenvolvimento.

África é calor humano ou um continente à beira mar plantado? 

Para além da beleza natural nas mais variadas partes do Continente , da diversidade existente , o calor humano é seguramente o factor marcante, um povo com muito afecto e com um grande coração. De uma forma geral os trabalhadores são dedicados, envolventes, com boa disposição, muita alegria, energia e madrugadores.

É considerado um dos principais gestores associados à expansão e sucesso da cadeia de lojas Biedronka, na Polónia. O que recorda desses tempos e principais ensinamentos?

Naturalmente sempre presente os 25 anos de carreira no Grupo Jerónimo Martins (JM), momentos únicos, de grande felicidade, de grande intensidade, de crescimento dinâmico, criação de valor, fortes laços de amizade e memórias inesquecíveis para a vida. Nas minhas diversas experiência ao longo da minha carreira, o grupo JM foi e é seguramente uma das melhoras escolas empresariais, pela cultura , pelos valores e pela dinâmica empresarial sustentada ao longo das décadas. Os 10 anos na Polónia, enquanto CEO da Biedronka  e os  5 anos posteriormente como COO do Grupo foram e serão sempre um marco na minha vida profissional, pessoal e familiar. Não é comum encontrar uma cultura tão forte e elevado nível de lealdade com um alto nível de alinhamento nos diversos níveis organizacionais do grupo. O caso único de sucesso da Biedronka na Polónia , é seguramente um motivo de grande orgulho para todos os que participaram no desenvolvimento e crescimento da cadeia de lojas, e recordo com saudade os grandes e continuados momentos de realização profissional e objectivos atingidos pelas equipas.

Quais os melhores momentos da sua carreira? 

Por tudo o que envolveu , crescimento dinâmico e resultados alcançadas durante período enquanto CEO das operações na Polónia foi seguramente um dos momentos mais marcantes assim como o projecto actual de optimização do Pick n’ Pay face à complexidade da operação com 1800 lojas nos mais diversos formatos e diferentes ramos de actividade.

E os menos positivos?

O período que considero menos positivo foi a experiência na Rússia enquanto Presidente do grupo Dixy, pelo curto período, pelas adversidades encontradas e de não ter conseguido finalizar a implementação  das mudanças estruturais necessárias.

Qual é o seu papel enquanto conselheiro da Diáspora Portuguesa no mundo?

O papel principal é de representar Portugal no mundo, nas Geografias aonde estou presente, sendo um privilégio e uma honra estar envolvido com o nosso país enquanto Conselheiro  da Diáspora. Encaro com grande responsabilidade esta  missão, disponibilizando os meus conhecimentos e contactos para o desenvolvimento das actividades da Diáspora como recentemente aconteceu na organização do Fórum Euro África.

Por Executive Digest, Outubro de 2019

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