Um técnico de som que se transformou num dos pesos pesados da indústria da música em Portugal e no Brasil. Paulo Junqueiro é o Presidente da Sony Music Brasil.

É um melómano, que conseguiu fazer da sua paixão a única profissão que exerceu na vida – já lá vão 39 anos. Viu a indústria da música crescer, encolher, cair, inovar e ajudou a renascer. Atravessou diferentes épocas – do tempo das “velhinhas” cassetes até à actual ascensão do streaming.

Iniciou a sua carreira na década de 1980 como engenheiro de som e desde aí que atravessa o Atlântico, entre Portugal e Brasil. Trabalhou como director de Artistas e Reportório (A&R) na Warner Music Brasil., quatro anos depois regressa e fica mais nove anos na EMI Music Portugal, transita de novo para o Brasil como director de Marketing e A&R, passa a co-director-geral da EMI Music&Publishing Brasil, de volta a Portugal durante três anos assume a direcção-geral da Sony Music e em 2015 aceita o convite para a presidência da Sony Music Brasil. Paulo Junqueiro conseguiu, juntamente com a equipa, reerguer a companhia de música no mercado brasileiro – numa altura em que a facturação da indústria fonográfica se encolhia, em termos globais – e hoje é assumidamente líder, com uma quota de 34,2%.

As conquistas têm sido muitas. Produziu o primeiro disco dos Xutos e Pontapés, trabalhou com Rui Veloso, Jorge Palma, Sérgio Godinho, Camané, Mariza. Assim como tem o nome associado a artistas brasileiros como Gilberto Gil, Tom Jobim, Seu Jorge.  A lista é infindável. Recebeu dois Grammy de “Best World Music Album” pela produção de “Quanta Live” e de “Quanta gente veio ver”, ambos de Gilberto Gil. Ao todo, detém 44 discos de ouro, 21 discos de platina e 11 discos “multi-platina”.

O QUE DIZ PAULO…

A indústria fonográfica representa um dos casos mais emblemáticos de queda e renascimento após a disrupção digital.

Descreve-se como um engenheiro de som ou um gestor na indústria fonográfica?

Um técnico de som que se transformou num gestor.

O que sonhava ser, em criança?

Actor, pintor músico, arquitecto, espeleólogo…várias coisas dependendo da época.

Quais os melhores momentos da sua carreira?

Os que estou a viver neste momento com o crescimento da indústria da música como um todo e o crescimento da Sony dentro do Brasil. Tive outros momentos inesquecíveis tais como quando os Xutos me chamaram para produzir o primeiro disco que fiz com eles; quando trabalhei com o Gilberto Gil a primeira vez; trabalhar com o Tom Jobim; tive e continuo a ter o privilégio de conhecer pessoas muito talentosas e especiais.

E os piores?

Quando mudei pela primeira vez para o Brasil em 1985 e nada dava certo. Quando voltei para Portugal em 98 para trabalhar na EMI-VC. Quando a EMI foi vendida e fui demitido. Vários…

Como descreve a indústria musical e em que fase se encontra?

Encontra-se na melhor fase dos últimos 20 anos com o crescimento do mercado global, com o desaparecimento do físico e o advento do digital, com a diversidade de géneros, com a portabilidade da música. Acho que nunca vivi um momento tão rico e promissor. De 2001 a 2014, a facturação de sector no mundo encolheu 40%, segundo a Federação Internacional da Indústria Fonográfica. De lá para cá, as vendas voltaram a crescer com a ascensão dos serviços de streaming.

Quais têm sido os argumentos da Sony Music Brasil?

Ter os melhores artistas, a melhor música e a melhor equipa – simples assim. O resto vem depois.

Qual o concerto que mais o marcou e por que razão?

The Clash em Cascais Sandinista Tour (não me lembro do ano…talvez 80, 81). A razão é óbvia – são os The Clash!

Que música nunca deixa ouvir?

Remar, remar – Xutos e Pontapés.

Se escolhesse a sua música, qual seria?

Summertime in England – Van Morrison.

A sua vida tem uma banda sonora? Fado ou samba?

Nenhum dos dois. Soul Music.

Que música lhe vem à cabeça quando pensa em Portugal?

Povo que lavas no rio.

E no Brasil?

Aquele Abraço – Gilberto Gil.

Rádio, cartucho, disco, CD?

Streaming!

O que sobra de Portugal em si?

A luz de Lisboa, a cereja do Fundão, o queijo da serra, a nostalgia do fado, a paixão pelo mar e pelo desconhecido…

Qual o seu papel enquanto Conselheiro da Diáspora Portuguesa?

Ter muito orgulho de ser português em qualquer lugar que vá e sentir a responsabilidade de carregar o nome do meu País sempre comigo.

Por Executive Digest, Fevereiro de 2020

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