Organizado pela AICEP, com a participação do Conselho da Diáspora Portuguesa e da Embaixada de Portugal no México, o webinar “Acordo Modernizado UE–México: Novas Oportunidades para Portugal” reuniu mais de 150 participantes e responsáveis institucionais e empresariais portugueses e mexicanos para analisar as perspetivas de comércio, investimento e internacionalização num dos mercados mais relevantes da América Latina.
O México combina um mercado interno de grande dimensão com uma posição estratégica nas cadeias de valor norte-americanas. A integração com os Estados Unidos e o Canadá através do T-MEC, a sua estrutura industrial e o novo enquadramento da relação com a União Europeia estiveram no centro de uma sessão destinada a transformar o conhecimento do potencial mexicano numa reflexão prática sobre onde estão as oportunidades, quais são os desafios e como podem as empresas portuguesas preparar a entrada ou consolidação no país.
Na sessão de abertura, o Embaixador de Portugal no México, Pedro A. Costa Pereira, salientou que a relação económica entre os dois países continua abaixo do seu potencial e destacou a necessidade de as empresas identificarem oportunidades concretas e construírem uma presença sustentada. A modernização do Acordo UE–México, referiu, deve também ser entendida como um sinal de aprofundamento da relação económica entre a União Europeia e o México num contexto internacional mais complexo.
O Embaixador destacou ainda as capacidades das empresas portuguesas em áreas onde a escala não constitui necessariamente o principal fator competitivo. Especialização, tecnologia, flexibilidade, qualidade, inovação e capacidade de adaptação podem criar oportunidades em setores como engenharia industrial, componentes e moldes, energia, mobilidade, infraestruturas, tecnologias digitais, ambiente e agroalimentar.
A dimensão bilateral da iniciativa foi reforçada pela participação de Jorge Alberto Yarte Sada, Presidente do Comité Empresarial Bilateral Mexico-Portugal. A sua intervenção, dedicada às cadeias de valor na América do Norte, ao papel do México e às oportunidades para as empresas portuguesas, trouxe ao debate a perspetiva do setor empresarial mexicano e permitiu enquadrar as possibilidades de cooperação numa lógica que ultrapassa o mercado interno mexicano e abrange a sua integração produtiva regional.
O programa reuniu diferentes experiências e perspetivas sobre o mercado. Maria Carolina Lousinha, Delegada da AICEP no México, apresentou o contexto económico, as oportunidades e o apoio disponível às empresas portuguesas; Tiago Moreira da Silva, CEO da BA Glass, partilhou o percurso de uma empresa portuguesa com presença no país; e Paulo Garcia, CFO Global da Pandora, Conselheiro da Diáspora Portuguesa e ex-CFO da Walmart México, abordou a experiência de gerir e investir no México a partir de uma trajetória de liderança internacional. A sessão incluiu ainda perguntas e respostas e foi encerrada por João Nunes, Coordenador do Núcleo da Diáspora Portuguesa na América Latina.
A participação de líderes portugueses com experiência direta no mercado permitiu complementar a análise económica e institucional com conhecimento adquirido no terreno — desde os desafios da implantação e desenvolvimento de operações até à gestão de equipas, parceiros, investimento e relações empresariais num contexto cultural e económico distinto.
A apresentação da AICEP identificou oportunidades para a oferta portuguesa em áreas como máquinas e automação, infraestrutura e engenharia, energia e eficiência, saúde e farmacêutica, água, resíduos e circularidade, mostrando igualmente que diferentes setores correspondem a diferentes polos industriais e regiões do México.
Uma das ideias que atravessou a sessão foi, por isso, a necessidade de uma abordagem concreta ao mercado mexicano. Antes de avançar, uma empresa deve saber em que região pretende estar, em que cadeia de valor quer entrar e quem pode ser o parceiro adequado no terreno.
A presença do Conselho da Diáspora Portuguesa, através de profissionais com experiência de liderança e gestão internacional, sublinhou também o papel que a diáspora empresarial pode desempenhar na aproximação entre Portugal e mercados estratégicos, colocando experiência, conhecimento e redes de contacto ao serviço da internacionalização das empresas portuguesas.